Noite Amiga.

Lá de longe no tempo, repete-me uma outra imagem que ora transcrevo pela primeira vez, no elenco dos fatos referentes aos meus gatos.
Eu tinha uma gata preta, delgada e bela, ágil como todos os da sua espécie; lembrava uma miniatura de pantera negra. Surgida não sei mais de onde, refugiara-se em meu quintal e lá vivia, pela minha casa, pelos quartos, sobre os móveis, caminhando elegantemente, plena de nobreza e silêncio em seus domínios como se fôssemos nós os hóspedes.
Um dia ela teve dois filhotes fêmeas, uma delas muito negra, muito bonita e a outra raquítica,com o rabo cotó, aleijada e doente. A gata mãe vivia com as duas plena de orgulho, treinando-as, acarinhando-as, alimentando e protegendo as duas crias com igualdade, sem discriminações ou rejeições. Mas o tempo foi passando e a filhote perfeita passou a ser rejeitada pela mãe, por razões que só ela sabia e jamais pude conhecer, sendo constatemente castigada quase até `a morte, chegando ao ponto de fugir espavorida dada vez que via aproximar-se a gata mãe.
Eu observava sem poder intervir e não raras vezes presenciei momentos de extrema depressão da gata mãe, que definhava a cada dia, permanecendo por horas entregue ao seu sofrimento mudo, até que um dia desapareceu. Simplesmente saiu e não voltou mais, permanecendo distante por muitos dias.
Certa noite ela voltou.
Eu assistia a um filme na TV, sentado ao chão, tendo as filhotes já crescidas adormecidas ao meu lado, dividindo comigo o meu carpete grosseiro, quando a bela sombra negra assomou pelo visor da porta de entrada e mesmo antes de ter todo o seu corpo dentro da casa, miava de forma insistente e contínua e dirigiu-se d’um salto `a filhote rejeitada.
A filhote ficou inerte, sem quaisquer reações, olhos dilatados, coração batendo com força; todo seu corpo traduzia o desejo de fugir, mas não podia fazê-lo e a gata mãe dela se aproximou, tranquilizando-a, ronronando com miados entrecortados como que embargados por forte emoção.
Não raras vezes tenho mencionado a beleza contida no comportamento dos meus gatos, mas eu jamais vira cena tão bela.
A filhotinha permaneceu sentada e mantendo erguida a parte superior do seu tronco curvou a cabeça para a frente, num gesto de humildade e submissão, e se deixou tocar e acariciar pela mãe que a tratou de forma idêntica aos tempos de recém-nascida, lambendo-a por inteiro, cuidando dos seus pequenos ferimentos, retirando-lhe palhinhas e fragmentos de plantas presas ao seu pelo e a gatinha tendo aos poucos dissipada sua tensão, foi relaxando, desaparecendo as dilatações das pupilas dos olhos, que se foram fechando sonolentamente, e o seu corpo foi se deitando de lado ao encontro da mãe até adormecer sobre seu ventre.
A gata mãe enroscou-se ao redor da filhotinha, atraiu para si a outra, que se mantivera `a distância, observando sem se mover… e dormiram todos assim.
Aquele reencontro ficou gravado em minha alma, para jamais se esvanecer.

Lá de longe no tempo, repete-me uma outra imagem que ora transcrevo pela primeira vez, no elenco dos fatos referentes aos meus gatos.
Eu tinha uma gata preta, delgada e bela, ágil como todos os da sua espécie; lembrava uma miniatura de pantera negra. Surgida não sei mais de onde, refugiara-se em meu quintal e lá vivia, pela minha casa, pelos quartos, sobre os móveis, caminhando elegantemente, plena de nobreza e silêncio em seus domínios como se fôssemos nós os hóspedes.
Um dia ela teve dois filhotes fêmeas, uma delas muito negra, muito bonita e a outra raquítica,com o rabo cotó, aleijada e doente. A gata mãe vivia com as duas plena de orgulho, treinando-as, acarinhando-as, alimentando e protegendo as duas crias com igualdade, sem discriminações ou rejeições. Mas o tempo foi passando e a filhote perfeita passou a ser rejeitada pela mãe, por razões que só ela sabia e jamais pude conhecer, sendo constatemente castigada quase até `a morte, chegando ao ponto de fugir espavorida dada vez que via aproximar-se a gata mãe.
Eu observava sem poder intervir e não raras vezes presenciei momentos de extrema depressão da gata mãe, que definhava a cada dia, permanecendo por horas entregue ao seu sofrimento mudo, até que um dia desapareceu. Simplesmente saiu e não voltou mais, permanecendo distante por muitos dias.
Certa noite ela voltou.
Eu assistia a um filme na TV, sentado ao chão, tendo as filhotes já crescidas adormecidas ao meu lado, dividindo comigo o meu carpete grosseiro, quando a bela sombra negra assomou pelo visor da porta de entrada e mesmo antes de ter todo o seu corpo dentro da casa, miava de forma insistente e contínua e dirigiu-se d’um salto `a filhote rejeitada.
A filhote ficou inerte, sem quaisquer reações, olhos dilatados, coração batendo com força; todo seu corpo traduzia o desejo de fugir, mas não podia fazê-lo e a gata mãe dela se aproximou, tranquilizando-a, ronronando com miados entrecortados como que embargados por forte emoção.
Não raras vezes tenho mencionado a beleza contida no comportamento dos meus gatos, mas eu jamais vira cena tão bela.
A filhotinha permaneceu sentada e mantendo erguida a parte superior do seu tronco curvou a cabeça para a frente, num gesto de humildade e submissão, e se deixou tocar e acariciar pela mãe que a tratou de forma idêntica aos tempos de recém-nascida, lambendo-a por inteiro, cuidando dos seus pequenos ferimentos, retirando-lhe palhinhas e fragmentos de plantas presas ao seu pelo e a gatinha tendo aos poucos dissipada sua tensão, foi relaxando, desaparecendo as dilatações das pupilas dos olhos, que se foram fechando sonolentamente, e o seu corpo foi se deitando de lado ao encontro da mãe até adormecer sobre seu ventre.
A gata mãe enroscou-se ao redor da filhotinha, atraiu para si a outra, que se mantivera `a distância, observando sem se mover… e dormiram todos assim.
Aquele reencontro ficou gravado em minha alma, para jamais se esvanecer.
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