segunda-feira, 23 de junho de 2014

O Casal da Mansão das Graças











O Casal da Mansão das Graças – O velho e sua Julieta



Há muito tempo, em uma noite fria de chuva e aconchego de um dia 12 de junho como hoje, lá se vão mais de quarenta anos, passei em frente à mansão da foto, na Av. Rui Barbosa, no bairro das Graças, de volta à minha casa. Nos jardins da mansão, um casal jovem, belo e extremamente elegante, trocava presentes e carinho do Dia dos Namorados. Nunca esqueci o esplendor que emanava daquele casal, rivalizando com o brilho aristocrático e o clima leve da mansão. Era noite e não havia pássaros, mas o cheiro das flores daquele jardim se confundia aos perfumes da noite; dela? Não sei.

Os anos passaram e eu então já um pai ainda jovem, passeava com meus filhos à noite e encontramos um homem muito velho, que se dirigiu a nós com uma pergunta em súplica:
- Você viu a minha Julieta?
– Julieta, que Julieta?
– Respondi mal humorado.
– A minha Julieta, o amor da minha vida. – Disse-me o velho.

Olhei para o velho com a arrogância de uma juventude insensata e plena de poder pessoal transitório e devo ter dito alguma piada de mal gosto com o sofrimento daquele ser.

Uma jovem atendente de uma locadora de vídeos me explicou então que aquele homem tivera um grande amor um dia e o tinha perdido, não sei como foi a perda, mas havia perdido a sua Julieta que desde então procurava dia e noite, por ela a perguntando a tantos quanto entrava em contato.

Então me dirigi àquele homem velho, ainda bonito e cheio de uma dignidade sofrida e me redimi, prometendo-lhe que lhe informaria se visse a sua Julieta. O velho agradeceu em lágrimas e se foi pela noite, em busca de sua amada.

Hoje, após um dia excepcionalmente bem sucedido em todos os campos e esferas a que um velho como eu possa almejar, passei em frente à mesma mansão, hoje ao abandono, sem jardins, flores nem brilho, mas conservando ainda o seu porte magestáltico e lembrei mais uma vez daquele casal da minha distante infância e daquele velho da minha juventude nem tão jovem assim, que procurava a sua Julieta, a quem inicialmente menosprezei e isso me fez parar na chuva, olhar outra vez para aqueles jardins hoje secos e invocar a força do amor e bem aventurança daqueles jovens e daquele velho, uní - los em um só e redistribuí-los àquele homem e sua Julieta aonde quer estejam, para que se reencontrem e se realizem , unidos em uma única alma, dois seres que se perderam na vida ee me senti como se tivesse realmente feito alguma coisa...

Não sei se pela força da imaginação ou por obra de algum Cupido, vi aquele homem velho e sua Julieta se reencontrando naquele jardim de repente renovado em esplendor como daqueles tempos idos, sorrirem um para outro, dividirem presentes e carinho, para envolvidos num súbito brilho ofuscante, se desvanecerem no tempo e no espaço infinito...

Desejo um feliz Dia dos Namorados Namorados e que jamais, jamais percam sua Julieta ou seu Romeu.

Nenhum comentário:

Postar um comentário